sábado, 11 de junho de 2011

Os responsáveis pela educação


Não culpo as crianças nem os adolescentes por serem mal educados, nem por serem preconceituosos ou maus. Não os culpo. Culpo os adultos.
Os adultos sabem, ou pelo menos deveriam saber, o que é certo e o que é errado. E é, sim, culpa deles de os pequenos não saberem. A culpa é deles porque não ensinam.
Os adultos não ensinam as crianças a dar lugar no ônibus, a não furar filas, a não bater portas, a esperar saírem do elevador para depois entrar, a segurar uma porta para dar passagem a alguém, a agradecer por mínimos e grandes gestos. Não ensinam a ouvir, a esperar sua vez de falar nem a cumprimentar as pessoas. Não ensinam que existem regras de boa convivência na sociedade e é por isso que as pessoas estão cada vez mais frustradas.
Mas não ensinam por quê? Por que não são bons pais? Por que não são bons professores? Por que não são bons cidadãos? Por que não querem? Por que estão cansados do mundo? Todas essas perguntas são cabíveis. Em minha opinião, eles, os adultos, não ensinam porque não lhes foi ensinado.
Minha avó caiu no ônibus São Leopoldo – Porto Alegre pois passou a viagem inteira de pé. Você pode imaginar por qual razão uma senhora de 70 e poucos anos ficou mais de 40 minutos em pé. Sim, é isso mesmo que você está imaginando: ninguém cedeu seu lugar a minha avó. Eu não sei quantas vezes fui “quase-atropelada” na faixa de (in)segurança. Entrou um ladrão no meu prédio, pois algum morador deixou a porta de entrada aberta, sem chavear, só encostada, semi-aberta.
Ninguém segura o elevador nem as portas. Ninguém apaga a luz do cômodo que fica vazio., nem arruma as cadeiras, nem coloca o lixo no cesto... as pessoas estão sempre com pressa! Uma pressa absurda que as leva ao nada. E essa pressa e essa falta de educação estão me deixando cansada das pessoas, cansada de ser educada.
Todos nós sabemos, e dizemos de boca cheia, que a educação começa em casa. E não, não adianta você dizer como seu filho/aluno deve agir. Você deve agir a fim de que seu filho copie seus atos. Os adultos são modelos e, conseqüentemente, os professores são modelos. E como não forma de excluir coisas inúteis do currículo para espremer  no cronograma uma disciplina que eu denominaria “Educação”, cabe aos professores darem o exemplo para tentar reduzir o caos.
O prô de Matemática poderia ensinar que é legal facilitar o troco. O de Ed. F. poderia trabalhar a motricidade em favor da boa postura, do lado certo de andar nas escadarias. O de Física ensinaria, a partir da lei de que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço, que primeiro saem as pessoas para depois entrarem outras, do mesmo modo que não se entende nada quando falamos todos ao mesmo tempo. O de Artes poderia falar da mídia, a fim de desenvolver um pensamento crítico sobre a TV, a Internet e as propagandas. O de Língua ensinaria tudo que lhe fosse possível a partir de textos. E assim  por diante. O que importa agora é o que você leitor, vai fazer para ajudar.


Inverno de 2008


P.S.: Lembrei desse texto depois de falar com a Grasi Bueno

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Depois de quase 5 meses sem postar

Hoje fui ao Sebo Akadêmico que abriu aqui em PF. Muito bom. Pena não ter tido mais tempo de vasculhar as vastas estantes forradas de cultura e entretenimento.
Comprei: 



Esse último estava no balcão, ainda não catalogado. Tenho o Manual do Escoteiro Mirim - em algum lugar não-sei-onde, que foi do meu pai quando ele era criança. E me chamou atenção este, que um dia vai ser de meus filhos.

Só pra constar estou lendo
 E é muito bom!!!

Gosto de me dar livros. A busca incessante por meus Stephen Kings em inglês publicados pela Signet é ainda   meu maior problema. Me resta a Internet para encontrar. E acabei de encontrar pela Estante Virtual !!!! 

Enfim, não era sobre isso que eu queria escrever. Aliás, nunca é sobre isso que eu quero escrever. Pois aqui nesta janelinha do blogger é meio impossível fazer a inspiração tomar conta de mim. Embora eu tenha que lavar a louça, guardar as roupas já recolhidas e devidamente dobradas, resolvi que preciso retomar meus escritos. 

Vamos, finalmente e então, ao primeiro "textículo antissocial" do ano de 2011?


Pais

        Me intriga como alguns pai resolvem criar seus filhos. Não sei se por preguiça, negligência ou simples falta de sabedoria em relação ao assunto, alguns pais (leia-se pais e mães) não criam seus filhos.

      Ao longo desses 6 anos como professora, é inevitável não observar a maneira como os alunos respondem a todos os estímulosw a que são submetidos em classe e dentre os colegas. E é nessa convivência que vemos como eles são naturalmente. Criança não mente, não esconde pois tem a beleza da ingenuidade, algo que aprecio muito pois pe3rdemos conforme crescemos.

          Ser professora também engloba uma maternidade de certa forma platônica: cuidamos e educamos os pequenos e os não tão pequenos. Somos modelos a serem copiados, querendo ou não. Somos aqueles que seguram a mão ao fazer algo supostamente perigoso, somos aqueles a encorajar diante de desafios, a reparar erros e a elogiar acertos, aqueles que ouvem as histórias vividas, os medos quando eles crescem e se apaixonam pela primeira vez, aconselhamos quando brigam em casa ou com os amigos. Ser professor é uma responsabilidade muito grande. É maior ainda pois, muitas vezes, somos vistos pelos pais como uma adjacência deles próprios: quem tem que educar é a escola e é nessa afirmação que reside o maior do enganos da humanidade.

            Se a educação é função da escola, ser pai, hoje, é fecundar um óvulo, ser mãe é parir. A tarefa de alimentar, trocar fraldas, escovar os dentes, levar na escola, buscar na escola, levar na casa do amiguinho, preparar para a festa de aniversário é função da famosa Tata. E as tatas não têm aquela paciência. Mas ainda assim têm mais paciência que os pais.

          As crianças chegam à escola com medos infundáveis. A grande maioria inventados pelos progenitores. Acham que qualquer chuva vai derrubar casas, fazer acabar a eletricidade, pois isso acontece quando chove sobre a casa de uma criança bagunceira. O velho do saco, que sumiu por anos, voltou a aterrorizar os pequenos mal criados, levando-os pra um lugar escuro e tenebroso dentro de seu saco horripilante. Não entrem no mar, pois qualqer criatura marítima vai te dar um choque, te comer pela cabeça ou te arrancar uma perna, mas isso só se você desobedecer, ou se não ficar quieto, ou se fizer perguntas, ou se falar, ou se pedir um colo, ou se for uma criança em fase esponja.

           Aliás, uma criança em fase esponja é o pior dos seres que já habitaram o planeta. Quem que uma criaturinha tão pequena que ainda precisa de tantos cuidados, nos bombardeando com perguntas de todos os tipos e tamanhos e complexidades? Como responder? Será que vou deixar algum trauma? Será que vou saber dizer sem que atropele uma fase da vida desse serzinho? Ser´qa que eu me importo com isso tudo? Melhor é deixar pras tatas e pras professoras. Elas fizeram curso pra isso, eu preciso trabalhar pra comprar o maior número de futilidades a fim de preencher o vazio da minha ausência. Aos 10 anos, meu filho vai pra Disney com um grupo de crinas e pessoas que ele nunca viu na vida, vai ser um luxo, imagina ele no exterior sem a mínima base familiar.

           Tá bom, parei!!! Não se assuste, caro leitor, é que essas coisas me deixam muito infeliz, me deixam terrivelmente cáustica. Mas não acredito que todos os pais sejam assim. Tenho muitos alunos que vêm de lares estáveis, com pais super carinhosos, presentes, educadores, engajados, preocupados, que dão conhecimento e vivência aos filhos antes de pensar em futilidades. Parabéns a esses ais, pois esses sim são pais de verdade.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais um momento poesia

Eu podia morrer hoje

28/11/08



É, eu podia morrer hoje

Estou tão perdida quanto no dia dessa foto...
Aquela vontade de me lançar ao mundo sem dizer nada a ninguém
aquela vontade de morrer um pouquinho
E acordar depois, nova
Olho as fotos
Elas me dão um dor incrível no peito
Elas me maltratam porque não podem ser mais
Não podem ser nada além de fotos
De espaços no tempo,
capturados
sem volta
sem volta
sem reprise na sessão da tarde
na tarde quente de novembro
meu coração chora
bate pra todos os lados
e nenhum lado é o certo.
Espero ser assim só hoje.
Algo sei-lá de-onde me manda mais trabalho
Trabalho
trabalho
é bom:
me faz prestar atenção em outras coisas 
que não na minha dor
Dor besta
dor de crescer
como dóem as pernas das crianças que crescem rápido demais.
A mim dói o peito
porque nele não cabe tanta coisa,
tanta confusão,
tanta dor,
tanta alegria de estar fazendo as coisas do meu jeito
alegria de ter os amigos que eu tenho
de ter por perto pessoas que me admiram e me dão força
e que me fazem ver o lado bom
quando estou cega de tudo.
Mas hoje, mesmo com coisas boas, boas pessoas,
eu preciso morrer um pouco... 
Amanhã é outro dia
amanhã é dia de fênix!










sábado, 18 de setembro de 2010

# 1 Carnaval (12/02/10)


Fim de semana de carnaval. Nesse momento Donna Summer canta freneticamente “ the summer is Magic, is Magic, oh oh oh, thesummerisMagic” [1]no meu ouvido. São Paulo floods in e floods out[2], No Rio Grande de Sul acontecem algumas enchentes também, menos agressivas. E, pô, até Rivera alaga. Rivera!!! Bom, mas com a quantidade de camelô tá mais pra Ciudad Del Este (ainda) chique com doce de leite de qualidade, e não esqueçamos os alfajores e a carne. Não esqueçam da carne, principalmente de oveja, que é uma delícia.
Ligo na CNN. Acabaram as chamadas sobre o Super Bowl e continuam as do Haiti. Ah, não!, vamos abrir uma parêntese pro Haiti, galera. Vale a pena, vale. Esse “paísinho” ali na América Central, pertinho de Miami Bitch, teve o quê na vida? Foi próspero? Teve mil riquezas ao longo de sua ainda existência. Naaa. Teve pobreza e terremoto. Todo mundo, digo, todo O Mundo está ajudando o Haiti a se restabelecer. Haha. Não sei de quê, mas os governos são humanos e pensam em ajudar os outros.  
O Arruda não apareceu na CNN, pelo menos nos horários em que eu estava assistindo. Ele nem vai aparecer. Vão soltar, eu acho, porque nunca prendem político, não é mesmo? E se prenderem, vai ser marco histórico, como a eleição do querido Nobel da Paz, depois de mandar mais exércitos pro Afeganistão, cujo poder só foi concedido por ciúme do Brasil ter um ex-analfabeto no pódio, cujo passado foi marcado por fome e sofrimento e o Cheiradinho, a quem nosso molusco vem distribuindo free hugs nada free, que já tomou o dinheiro de todo mundo em outras épocas. Mas a política das aparências é lei e pronto, como os 10 Mandamentos. No space for discussions, gentleman.[3]
Enquanto isso, na terra da folia (do bacanal, do carpe diem whatever it takes[4]) o povo samba, diz estar muito feliz em ser rainha da bateria, fica feliz com os turistas, a Ângela Bismarck remove os mamilos e costura a perereca pra desfilar no carnaval só com a beleza e sem sexualidade alguma, o que me remete às africanas mutiladas para não sentirem prazer. A diferença é que a Ângela é branca, loira e sem cultura. Mas não se assustem, os mamilos estão guardados no nitrogênio e serão recolocados no fim do carnaval, afirma o marido que é cirurgião plástico e totalmente vendido, diga-se de passagem.
E serão 4 dias (sem contar os extras até o próximo fim de semana) em que ligaremos a TV e em todos os canais abertos veremos bundas, lustrosas de óleo e suor, saltitando em frente aos nossos bare eyes[5]. E aquela galera toda vibrando e copulando em profusão, celebrando a vida que têm vivido até então, no meio de todo o caos que se (re)forma. Sem nem dar bola pros Maias, que nos denominaram homens de milho e sangue, e que decretaram o fim dessa polenta com molho pardo* em 2012. Vai saber!!!
Eu agüento carnaval... Me enclausuro comigo mesma, com meu namorado, com meus amigos que partilham do mesmo desgosto. Mas a melhor solução, acho eu, que é fugir pras montanhas e rezar pra que exista um deus. E que ele seja bom depois do fim. Ou, como diria nosso self-shotgunned [6]Cobain, que no afterworld me dêem um Leonard Cohen, so I can sigh eternally. [7]


[1] “o verão é Mágico, é Mágico,oh oh oh,  overãoéMágico”
[2] Enche e esvazia.
[3] Sem espaço para discussões, cavalheiros.
[4] custe o que custar.
[5] Olhos nus.
[6] Auto-escopetado.
[7] In the afterworld give me a Leonard Cohen, so I can sigh eternally- de uma música do Nirvana: Me deem um Leonard Cohen no além para que eu possa suspirar eternamente.



Tá bom, eu sei que não é carnaval!!!!!!!!!!

E quem canta a música não é a Donna Summer. É a Corona.... tipo duchas corona



Tá, eu sei que não é carnaval!!!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

#6 O Jardim do Diabo

Termino de ler O Jardim do Diabo mais uma vez. Já li umas 5, 7 vezes Trato de esquecer do livro para que possa ler de novo. Tenho essa mania, uma mania que me agrada, por mais estranha que ela seja.
O título do livro é aquele antigo ditado: cabeça vazia é o jardim do diabo. Só esqueceram de dizer que em cabeça de gente ignorante isso não acontece. Não se criam palpites, hipóteses, histórias absurdas ou teses bem elaboradas em cabeças vazias o tempo todo. Precisa-se de uma mente que se desocupe de outros trabalhos para que vire o jardim do diabo, para que se perca dentro de si.
Outro dia eu estava pensando que eu queria nascer ignorante se houver uma próxima encarnação. Para poder viver feliz com o que tivesse,sem aspirações, sem ansiedades e angústias por conta das pessoas do mundo, sem a preocupação de um futuro bem fundado Queria ser burra, não ter qualificação alguma para ser, por exemplo, professora. Queria viver sem me dar conta da minha existência, sabe? Sem me traumatizar, se querer entender o modo de agir das pessoas, sem querer abrir os olhos das pessoas.
Eu sou testemunha e remexo o lodo do meu cérebro. Remexo e avalio e descubro. Sou Estevão, com s dois pés, o Estevão que não foi ver o que aconteceu, mas sabia o que iria acontecer. Sou o Estevão que preferiu escrever não histórias de quinta, mas textos se padrão literário, textos sobre si e sobre o resto do mundo, sobre a sua incompreensão da humanidade. Porque das questões traumáticas que todos os filhos têm, a Estevão aqui já se resolveu. E isso deu lugar a traumas de grande escala e insolucionáveis.
Não entendo a burrice humana. Não compreendo essa necessidade de aceleração. Tal prática só contribui para o fim. Talvez não o fim físico da Terra, mas o esgotamento contínuo das essências que nos tornam humanos, das características inerentes aos seres que dominam o planeta. Não estou falando de alma, pois acredito que todos os seres têm alma e sente, nem de convivência em comunidade, pois todos os seres se organizam assim. É o poder, não o natural de se ter um líder da matilha, um que organize os outros. É o poder sem querer saber quais meios serão justificados pelos fins. São os meios que me dão medo, que me fazem querer fugir, correr em disparada.
Mas eu preciso parar de querer reinventar a humanidade, porque ela está assim e ponto. Não depende de mim, não depende do meu jardim. Depende do deles, de cada um deles.



segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Desritimado

Não me preocupa tanto 
a escassez de recursos minerais,
nem as queimadas das florestas,
nem o degelo das calotas,
mesmo que me faça chorar
ver os ursos polares se afogando.
O que me preocupa
e me faz crer no fim do mundo
é a escassez de amizade
e de pessoas com virtudes.
Acho que é por isso 
que me faltam rimas nos poemas.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O peso da água





24-10-2008
Tem dias em que as coisas pesam mais.
Tem dias em que as coisas deixam de estar na água
porque saímos do útero do inconsciente
E nascemos mais uma vez para o mundo.
Aniversários são sempre estranhos,
os meus,
não há festa,
nem sempre há surpresa.
Mas á sempre uma dor,
um parto,
um partir,
um repartir
de mim.
E o choro me lava,
me limpa,
me revela tudo aquilo que já sei.
E chove mais uma vez,
a primeira vez que noto
chover no dia da fênix que há em mim.
Será que as cinzas
irão dar vida a uma nova de mim
antes que o peso da água
queira me banhar mais uma vez?







Mário Quintana dizia:


Data e Dedicatória 

Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora estrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...



Me desculpe, Passarinho, mas eu preciso de datas... números são cabalísticos.


Não, não é meu aniversário hoje. É na data da foto.