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domingo, 22 de novembro de 2015

Você vem sempre aqui?

Oi gato, tudo beleza? Te achei uma delicinha, sabia? Eu tava te olhando lá daquele canto. Queria te levar pra casa.

Você é bonito, parece ter um bom papo...gostoso... você parece gostoso.



Mas será que você é gostoso mesmo? Você sabe fazer uma mulher gozar, se derreter em cima de ti? Sabe fazer ela se sentir confortável e desejada ao mesmo tempo?  Como você gosta de transar? Quais posições você acha que entra mais gostoso? Você beija na hora do sexo? Tem um pouquinho de preliminar – não precisa ser muito não, não é toda mulher que gosta- ou não tem nada, só chega pá?  Você retribui sexo oral ou só recebe? Acho que pau não é pai de santo, né?


Sabe por que eu te pergunto isso... é porque eu estou cansada de sair toda linda, conhecer um cara legal, ir pra cama e me desiludir. Outro dia transei com um cara e foi uma merda. Ele deitou com o dito cujo em pé e eu tive que fazer todo o serviço, parecia um robô. Eu nem consegui imaginar nada e gozar através da minha imaginação. Foi muito chato.


Se você for homem britadeira, também vou pedir licença... Você sabe como é um desse, né? Ele entra e sai num frenesi louco que chega a doer. Não tem nada mais triste que um homem britadeira, sabe? Eu tenho pra mim que o cara acha que ele é o provedor do prazer, que ele vai meter e a mina automaticamente vai se desfazer em gemidos. Um homem não é um pênis... se fosse só isso eu comprava mil dildos e fazia um canavial no meu quarto.

E essa coisa de se sentir confortável , deixa que eu te explico: mulher só goza se estiver em paz. Se um cara me deixa em dúvida ou inquieta, com receio, pode ser até que eu transe numa tentativa de dar mais uma chance (sempre há os tímidos e os cabreiros), mas eu não vou gozar. Não vou conseguir. Deixar a gata confortável (e feliz por estar contigo) é o primeiro passo. Bem de boa, eu não me importo se o cara quer me comer só essa noite. Please, estamos em 2015, eu curto sexo casual. Mas sexo pra ser legal tem que ser como uma brincadeira: a ideia é se divertir sem traumas, sem choro e sem cara feia. Se der em orgasmos, yay, que sejam muitos!




Você não acha? Ou você acha que eu sou uma tola, como toda mulher, que fica mendigando orgasmo?....


Filho, tem iogurte pra mulher ir aos pés porque a sociedade determinou que mulher não pode nem peidar,  imagina o que é uma mulher sexualmente livre! Todo dia é uma corrida pra longe da fogueira.


Desculpa chegar já largando tudo isso. Mas é que tá difícil, ainda, ser mulher. E a gente é tão linda, tão cheia de surpresas boas , que só são surpresas (e não aspectos naturais da gente) porque fomos ao longo da história sendo amputadas, coagidas, repelidas, castigadas, submissas....


Então, eu só te peço que você me coma celebrando a minha existência, comemorando a minha vontade de gozar contigo e, se bater no peito, quem sabe se encontrar de novo e ir curtindo um ao outro.  E se nenhum se apaixonar, pelo menos teve muito prazer, prazer, prazer e, claro, muito respeito.







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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A grama do vizinho

Dia deses li um texto sobre a tal personagem da Paola Oliveira e fiquei triste, de verdade. Eu não deveria falar nada porque nunca vi o tal programa em que a Paola é estrela, faz anos que não assisto à emissora. Não assisto porque não gosto, não preciso e não sou obrigada. Sobre a Paola: linda, cara de chique, dizem que é uma chata em casa (mas isso é uma questão de gosto e opinião, right?). Se é boa atriz não sei, porque isso é muito relativo no país. Há alguns superbem falados e eu acho ruinzinhos, mas vai ver eu também sou chata como a Paola... whatever.

Deixa eu explicar o motivo da minha tristeza. O texto falava sobre o cara chegar podre em casa e se deparar com a gostosura da Paola na tv e a mulher em casa sofrendo pra cuidar de filho, trabalhando, ainda cuidando da casa... ele deseja a artista, mas conclui que ela é uma farsa e prefere a esposa.
Há algo muito errado nisso tudo. Primeiro que se você é um marido tão maravihoso, por que raios é só a esposa que tem 3 empregos (sim, galera, ser mãe dá um trabalho enorme! Não sou mãe mas conheço muitas)? E é só por isso que você valoriza sua esposa: pela capacidade dela em operar, em ser produtiva? Isso significa força necessariamente? Será que sua esposa não teria outras opções de escolha caso você ajudasse na limpeza, ou na cozinha ou cuidando da prole? Será que ela não seria ainda mais gostosa que a imagem da tv? Será que ela não ia ter mais tesão em você? Será que ela não fica pensando no carinha que trabalha na padaria enquanto vocês transam, porque ele é gentil e cuidadoso com ela naqueles 5 minutinhos diários em que ela vai comprar pão pro teu café da manhã?

Sabe, a gente nasce aberto pra amar no sentido real da coisa: amamos como aquela pessoa nos faz sentir, como ela nos mostra o que há de melhor em nossas almas. A gente ama não pela estética, mas porque podemos confiar na pessoa, amamos o toque, o gosto, o cheiro. Porque amar é algo que se faz por inteiro.  Mas passam a vida toda nos ensinando que o que importa é a estética, o plástico. É bom ver corpos através de telas ou impressos porque eles são esteticamente perfeitos. Agora quando o corpo é real, ele traz uma série de informações e bagagens difíceis de lidar, frágeis, desafiadoras.  E é cada uma dessas nuances que compõe um ser humano.  Mas também somos ensinados a gostar de padrões. Para mim, esse é o maior erro da humanidade. Endeusar coisas é complicado, garotada, a gente corre o risco de se tornar só mais um tijolinho ao invés de ser um universo.

Eu nunca tive amores por artistas no sentido físico. Acho muita gente linda maravilhosa, mas nunca paguei pau pra ninguém (tive uns platonismos, quem não teve?). Gosto de mentes, de gente desafiadora, que me faz pensar, que me instiga. Por que eu desejaria a minha esposa e não a moça da tv? Porque ela é uma pessoa real pra mim. Não acho que a Paola seja uma farsa: há gente de todo tipo. Quem sabe se minha esposa fosse uma dondoca louca eu a a amasse justamente por isso, ou se ela fosse uma moça simples do interior, delicada e tímida, se fosse desajeitada, se fosse meio maníaca, se não usasse nunca maquiagem, se tivesse vergonha da celulite... eu a amaria, em especial, por um motivo único, uma característica só dela, porque ela me mostrou isso e me deu de presente seu coração e confiança, porque somos íntimos e cúmplices.

Acho uma tristeza isso tudo, sabe? Querer sempre o que não é seu. É uma doença. Querer estar sempre disponível também pode mostrar um medo gigantesco de se deixar conhecer, de tentar descobrir essas peculiaridades e sair dessa padronagem alienante.

Aí a mulher desiste de chamar uma empregada pra ter um tempo livre porque o marido tá babando pra tv e pode querer a empregada, e continua trabalhando feito uma louca. Não tem tempo nem pra arranjar um amante que entenda que sexo não é só beleza, sexo é muito mais que isso.  Porque ela tem medo de fazer umas loucuras com o marido... vai que ele acha que ela andou treinando por aí, ou que andou vendo uns vídeos na internet. Ele não acha que isso sejam coisas pra mulher ver. E aí vira esse círculo vicioso em que tudo rola bem só no campo da imaginação: ele pensa na tv, ela neura sobre o que queria fazer e não pode, mas de vez em quando sonha com algum galã.. e no fim das contas nada disso é real, muito menos o sexo. E ela continua achando que ser mulher de verdade é essa escravidão de 3 turnos para o marido "provedor da casa", que acha que respeito é isso mesmo e tá tudo muito massa.

E daqui 10 anos alguém vai estar escrevendo algo muito parecido com o que vocês acabaram de ler, porque é muito difícil se desfazer de uma cultura assim, mas eu espero que você esteja vivendo um caso tórrido com seu amor (independente da idade de vocês, de como estão os corpos ou de quantos anos tem a união), cheio de sacanagem, orgasmos e risadas. E um bom vinho pra acompanhar.


Imagem: http://farm4.static.flickr.com/3823/10769465115_7b3fd35b62_m.jpg

domingo, 29 de junho de 2014

Amor e sexo


Hoje está aquele domingo perfeito de certa forma: há poucos carros na rua, meu café está quente e gostoso, da sala ouço o Vini dar umas roncadinhas de sono profundo, dos fundos ouço os pássaros livres conversarem com as calopsitas do vizinho. 
Gosto de acordar mais cedo aos domingos e escrever. Às vezes me esqueço o quanto aprecio ficar sozinha para ouvir os sons do mundo e da minha cabeça. 

A chuva não pára e assola muitas comunidades no meu estado, mas hoje a chuva tem um belo som, como um trance que me embala.
Há pouco olhava no Catraca Livre as fotos de casais homossexuais do século passado. Um trabalho belíssimo de Sebastien Liftshitz . Algumas fotos me deixaram verdadeiramente emocionada, porque é possível captar amor e cumplicidade, entrega e satisfação. É quase possível tocar o sentimento que há ente os casais. Há uma completude naqueles olhares, na linguagem corporal.

Sei que bato nessa tecla muitas vezes, mas sou uma defensora do amor. Não consigo compreender como é possível alguém achar o amor feio, estranho, anormal. O amor é uma dança que se descobre a cada dia. É um livro daqueles que você não consegue largar nunca, que quer ler e reler infinitamente. O amor é ser livre com outra pessoa: livre de padrões, de rótulos, de preconceitos, de convenções sociais. O amor é a completa absolvição dos pecados, é luxúria sem culpa, tesão carinhoso, cuidado e zelo.

E aquela historinha de "o amor não é isso.. o amor é outra coisa", na real é: o amor é infinitas coisas, mas todas boas, que engrandecem, embelezam, trazem sorrisos e segurança. O amor é segurança. Mas para cada um o amor se mostra de um jeito diferente, porque o amor é único. O jeito que você ama João pode ser diferente do jeito que amou Pedro, e não tem nada a ver com o jeito do amor pela irmã ou pelo filho. O amor é infinito.

Então, se o amor é um sentimento que traz segurança, alegrias, liberdade e infinitude como é que eu vou me meter no amor dos outros? Como é que eu vou achar que o amor dos outros vai ser igual ao meu? Ou que o meu será igual ao dos outros?

A questão não é essa? A questão é sexo? Não me diga que você faz só aquele sexo basiquinho, sempre igual... preliminares, uma posição só, gozo de um dos dois ou dos dois (mas nem sempre)? Entendo sua frustração. Entendo sua chatice. É falta de criatividade, é falta de diversão, falta de prazer nesse corpo. Que pena! Você poderia estar vivendo num mundo exclusivamente seu, cheio de delícias e intimidades. Porque NINGUÉM precisa saber o que você faz, ninguém precisa julgar sua vida sexual. Sexo é uma terra mágica onde se pode brincar de tudo, desde que seja o que os participantes desejam. Pode ser em duplas, trios... quem quer brincar decide. Pode ter objetos, roupas, fetiches... pode envolver lugares, luzes, aromas, sabores. Pode ter teatrinho e todo tipo de encenação. É pura experimentação. Se não der certo, não se abale, um abraço e um sorriso de cumplicidade consertam tudo. 

Eu desejo que todos tenham ótimas experiências sexuais sempre. Porque o importante é que não sejam traumáticas a nenhuma das partes (especialmente das íntimas). Desejo mais ainda que parem de julgar as práticas dos outros.. e o amor dos outros. Lembrem-se: amor e sexo são únicos! Não é pra ficar comparando. Isso azeda, estraga, te envenena, você se rala... porque só você se prejudica por ficar julgando. Enquanto você fica preso às convenções puritaninhas e sem graça, pessoas inteligentes vivem felizes, realizadas e bem servidas, muito bem, obrigada.

Sabe qual o segredo da vida: cada um cuida da sua e deseja que todos encontrem a felicidade. Por que você não tenta? 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Roulette

Eu preciso de música. Eu preciso ouvir músicas novas sempre, nem que eu não saiba o nome, nem quem canta. Uma promiscuidade musical. É igual com comida. Preciso do novo, nem que seja durante só uma música. Sensações etéreas. Como flutuar no plasma, que te envolve todo o corpo, te sufoca, te cega, te cala. Só o ouvir importa. Ativa todo o resto das tuas percepções. Entra nas veias e te faz pulsar e fluir  e vibrar.  E aqueles sons que marcam, que se afincam na gente, acham um vinco pra se instalar. Uma barreira de corais de sons e sensações.


Gostamos de coisas que nos alteram, que modificam nosso estado. Sair seguramente do lugar comum é viciante, é libertador. 

Cada som é único, mesmo que lembre mil outras coisas.. Acho que isso é ser único, ser um patchwork de referências, de intertextualidades, de influências.... aquela eterna construção de si mesmo, adicionar, excluir, desfazer, reviver, repensar, deixar pra outro dia, deixar pra nunca mais... E sentir, sentir, sentir, se fundir ao tudo, ao nada, dentro de si. 




Ouve lá e depois comenta teus gostos:




terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um pote para a liberdade

De repente aquela imagem da Dira Paes falando com uma desconhecida no caixa do mercado me salta à mente e penso em quão grandioso é o engodo do Activia e de todas as linhas de laxantes existentes no mundo. É enganar a mulher, mais uma vez, de que ela não pode agir dessa forma.  Há realmente coisas que os homens fazem, mas mulheres não podem fazer. Não é falta de capacidade, é falta de permissão.

Durante toda a existência da humanidade a mulher sofreu. A progenitora, a que carrega vida, a que FAZ vida.... Isso não é um pouco ameaçador? Talvez seja ainda mais se pensarmos no fato de ela ser menor, mais frágil, mais delicada, com um design físico mais curvilíneo, seios, pele macia e fina.... que dualidade! Imagino os homens, nas diferentes décadas e séculos, criando hipóteses sobre toda essa confusão que as mulheres provocam. O humor mutante, a beleza, a sedução, a ira, a prolixidade, a fluidez, as palavras cheias de sentidos amplos....

Quando a gente não sabe como lidar é melhor prender, sujeitar. Não é? Não é assim que teu instinto primitivista te faz agir? O medo, a culpa, o não saber o que vem depois...não te faz agir assim?




Eu entendo tudo isso. Entendo a falta de ação. Entendo os concursos de beleza e a vontade de ser valorizada. Eu entendo ser subjugada por fazer descobertas, se sobressair e não poder ser vista para não afrontar o cérebro maior daqueles que um dia -por pura ignorância- traumatizaram, eternamente, o direito de igualdade. Por que nada vem sem passado, nada vem desacompanhado de sentido.... e as mulheres serão, até o fim, aqueles seres mutilados para não atingirem sua plenitude.

Não dá pra fazer cocô fora de casa. Peidar é feio. Ninguém mais peida, só você, peidorreira! Feia, fedida, suja, nojenta. Onde se viu uma menina, linda assim, pedir para cagar na casa dos outros!?! É pior que falar de sexo.. mas nunca será pior que gostar de sexo.. ou melhor, nunca será pior que dizer que gosta de sexo. Isso é coisa de mulheres da vida. (Que, se pá, até cagam na rua.)



Mas não temam, ladies, há um produto revolucionário, com o qual a sociedade toda se redime por ter te incapacitado de defecar. É só comer um potinho cheio de sabor e ser livre, livre do inchaço, livre dos gases, livre da opressão, livre pra poder relaxar a musculatura pélvica e ser igual a todo mundo, ser normal. Tão normal que dá pra falar sobre esse assunto com uma desconhecida na fila do caixa.